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Blog do Fritz Utzeri
 


Um escândalo inglês

com jeito de Brasília

Fritz Utzeri

 

E mais uma vez a Europa se curva ante o Brasil. Vocês pensam que malandragem existe apenas no Congresso em Brasília? Surpreendam-se cidadãos, a loura Albion, a Inglaterra, vive um enorme escândalo nestes dias, escândalo idêntico ao dos gastos descontrolados de nosso Congresso e que chega a atingir o primeiro ministro trabalhista Gordon Brown. Tão parecido que a primeira reação do governo foi chamar a Polícia para – adivinhem? – descobrir quem passou a informação para os jornais!

 

E não é pouca coisa não. A ministra do Turismo Barbara Follet, casada com o escritor milionário Ken Follet, foi reembolsada por gastos com sua segurança, equivalentes a 25 mil libras (77.500 Reais) durante três anos para manter equipes de vigilância em volta de sua casa num bairro chique de Londres. Barbara alegou que não se sentia segura na cidade. As extravagâncias da ministra chegaram ao ponto de cobrar 528 libras (1.640 Reais), para lavar um tapete chinês de sua casa. O parlamento achou caro, mas mesmo assim restituiu 300 libras (pouco mais de 900 reais) à ministra.

 

Os escândalos começaram a ser denunciados pelo Daily Telegraph, um tablóide sensacionalista de Londres, mas ainda não apareceu deputado ou ministro dizendo que não dá a mínima para a opinião pública. O fato já despertou toda a imprensa britânica e a ira e indignação dos contribuintes ingleses, que já não andavam nada satisfeitos com o governo trabalhista.  

 

Nem o primeiro ministro Gordon Brown escapou. Num período de seis meses, ele pagou 6.500 libras (20.150 Reais) ao irmão Andrew para limpeza dos carpetes de sua casa. O caso envolve até o momento pelo menos oito parlamentares e ministros, mas parece ser apenas o início da abertura de uma verdadeira caixa de Pandora que vai pegar também alguns conservadores. Um dos políticos envolvidos pediu reembolso de 60 mil libras para cobrir despesas que teria tido, desde 2002, com a casa dos pais, o que mostra que o conceito de “sacralidade familiar” não é apenas nosso.

 

O caso mais pitoresco é o do ex-vice primeiro ministro John Prescott acusado de ter trocado duas tampas de privada em dois anos. As obras no banheiro ministerial custaram mais de seis mil libras. Ele reivindicou também o reembolso de verbas de alimentação no valor máximo permitido: 4.800 libras anuais (14 mil reais), alegando que comia muito por estar com bulimia, o que pode explicar aumento de peso e em conseqüência a necessidade de trocas freqüentes das tampas dos sanitários. Esse mesmo político usou dinheiro público para pintar a casa e para ser reembolsado pelo pagamento de juros na aquisição de um imóvel.

 

Agora vamos acompanhar e ver como a coisa vai evoluir. Vai ter conseqüências ou vai acabar tudo em fish and chips (peixe com fritas) o equivalente inglês da pizza?



Escrito por Dr. Fritz às 00h27
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Eureca! O Brasil está mais científico. Está mesmo?

Uma boa notícia comemorada com muito alarde foi uma melhora na posição científica do Brasil. Segundo a Nacional Science Indicators, uma base de dados que reune as publicações científicas mais pretigiosas do mundo, o Brasil aumentou nos últimos dois anos o número de artigos científicos publicados, passando do 15º para o 13º país no mundo em produção de trabalhos científicos, ultrapassando a Holanda e a Rússia. A notícia é boa, sem dúvida, mas está longe de refletir uma política de governo ou a compreensão das autoridades sobre a importância de desenvolver a ciência em períodos de crise. A melhora deu-se, devido ao aumento do número de doutores no Brasiul, que passaram de  13 para 46 mil, mérito das agências do setor e provavelmente pelo maior crescimento econômico nos últimos anos, uma tendência mundial à qual o Brasil aderiu de modo tardio e medíocre. No ano passado os cientistas brasileiros publicaram 30.451 artigos, contra 19.436 no ano anterior. Apesar de um avanço significativo estamos ainda longe dos EUA (1º lugar) com 10 vezes mais artigos, nada menos que 304 mil 683, da China (2º) com 112 mil, da Alemanha e Japão com, respectivamente, 87mil e 79mil. Mas se por um lado aumentamos o número de publicações, por outro os artigos brasileiros continuam tendo reprecussão pequena, significativamente abaixo da média em praticamente todas as áreas da ciência. Além disso, as pesquisas brasileiras não encontram o caminho da indústria. O número de patentes registradas pelo Brasil ainda é mínimo em comparação com outros países. No ano passado o percentual de patentes brasileiras registradas nos EUA correspondeu a 0,06% do total. O Japão, no mesmo período, foi responsavel por 22%, a Itália por 5% e até a Coreia do Sul, que aparece em 12º no ranking mundial, registrou 10 vezes mais patentes nos EUA que o Brasil.

O problema é que enquanto Barack Obama em meio à crise aprovou o maior orçamentop científico dos EUA, destinando 3% do PIB daquele país à pesquisa, ressaltando que a ciência será fundamental para vencer a crise, o Brasil aplicou um corte de 18%  nas já minguadas verbas para P&D. Há alguns dias em conversa com o embaixador Marcílio Marques Moreira ele chamou a atenção para o detalhe, criticando o governo por mais uma vez "adiar o essencial em nome do urgente". Para ele, é preciso, mais do que nunca, investir em educação e ciência "pois elas ditarão o perfil das nações que liderarão o século 21".

O Mundo pode estar na iminência de uma revolução em sua base energítica e sairá vitorioso o país que melhor se posicionar. O Brasil, segundo o economista Carlos Lessa, tem hoje cerca de 45% de sua matriz energética baseada em energia renovável e em lugar de incentivar a pesquisa nesses meios, investe na construção de termoeletricas, um retrocesso que evidencia a inexistência de um projeto para o Brasil.

 



Escrito por Dr. Fritz às 10h56
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O Maranhão e a praga dos Sarneys

Confesso que estas semanas em que não escrevi me deixaram com saudade do Montbläat e de toda a sua equipe e dos leitores e vou rapidamente marcar a minha posição e me referir a alguns fatos bons que perdi como a cassação do Jackson Lago, o governador do Maranhão acusado de abuso de poder econômico para ganhar as eleições. Não vou entrar no mérito da questão, nem sou louco de por a mão no fogo por um político maranhense. Mas o lógico nesse caso seria convocar novas eleições impedindo o governador afastado de participar. Empossar o segundo colocado me parece um absurdo, ainda mais quando se chama Roseana Sarney. Faço Haraquiri com faca cega se a Roseana Sarney não abusou (e abusa) do poder econômico no Maranhão e se papai não fez o mesmo no Amapá (continuo querendo trocar pelo Uruguai). Lembram da pilha de dinheiro? Pois é, pelo jeito quem anda cheio dos políticos nordestinos é papai do céu. O sertão está virando mar, pena que os castigados sejam sempre os pobres...

 

Vejam o legado de 50 anos de dominação políca dos Sarney no Maranhão.

José Sarney era um advogado pobre quando resolveu aderir à política, hoje é o homem mais rico do Maranhão, durante o reinado de seu clã, o estado tornou-se o mais atrasado do Brasil em matéria de justiça social, ultrapassando o Piauí. O índice de mortalidade infantil do Maranhão encoista nas 40 crianças por mil nascidas vivas e empata em último lugar entre os estados brasileiros com outra joia nordestina: Alagoas. A mortalidade infantil no Brasil é de 23 por mil nascidos vivos e mesmo essa já é considerada alta pela OMS, é a terceira pior da AL, ganhando apenas do Paraguai e da Bolívia. Nada menos que 21,5% dos maranhenses são analfabetos (o dobro da média nacional), Só 12,5% das casas maranhenses tem água e esgoto (no Brasil a média é de 70%) e nada menos que 65% do estado é classificado como miserável, um recorde no país.

 

 

Velhos hábitos não morrem... 

Estive ontem, terça-feira, dia 5 de maio, no Clube Germânia para participar de uma palestra junto com Cristina Michaellis, sobre Jornalismo e seu futuro. No auditório, 50 pessoas, a maioria mulheres e 90% no que se convencionou chamar de terceira idade. Todas pessoas cultas e de boa posição. Uma parte considerável declarou-se ainda assinante ou leitora do JB e perguntou-me por que havia parado de escrever no jornal. É curiosa a fidelidade dos leitores, todos lamentavam o estado atual do JB, tinham consciência do que a folha vendida sob a marca JB nada tem a ver com o jornal que foi outrora. Mas mantinham-se fieis porque declaravam não poder ler O Globo. E não era uma assembléia de gente de esquerda, que poderia ter uma razão política para não abrir o jornal do Dr. Roberto. Muito pelo contrário. Pois é ganhar leitores é luta morro acima. O caso do JB é matéria para teses acadêmica, quem se habilita?

 

 

Não há dois justos em Sodoma...

Até tu Cristóvão Buarque? Até tu, Suplicy? Pois é, nesse negócio das passagens de avião do Senado não escapou um só. É a desgraça de Brasília que aos 50 anos continua sendo tratada como o agreste hostil que foi um dia. Deputados e senadores tem direito a apartamento funcional de graça, uma benesse que não existia no Rio e não existe em capitais como Washington ou Paris. Foi eleito? Mude-se e procure apartamento. Brasília é hoje a cidade com a maior renda per capita do Brasil, mas os políticos eleitos ou moram em apartamentos funcionais, ou recebem auxílio moradia para hospedar-se em aparts de luxo e ainda querem ter direito a passagens para que a família viaje à Europa ou venha visitá-los todas as semanas. (ou até líderes sindicais como confessou o Molusco, tornando-se o 301º picareta do Congresso). Que trabalhador tem direito a tais privilégios? Foi eleito? Mude-se com a família ou – no máximo – tenha direito a uma passagem semanal para ir “trabalhar junto às bases”, no estado que representa e nada mais. Já é mordomia mais que suficiente.

 

 

 



Escrito por Dr. Fritz às 06h30
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Gripe suína 
José Saramago

Não sei nada do assunto e a experiência direta de haver convivido com porcos na infância e na adolescência não me serve de nada. Aquilo era mais uma família híbrida de humanos e animais que outra coisa. Mas leio com atenção os jornais, ouço e vejo as reportagens da rádio e da televisão, e, graças a alguma leitura providencial que me tem ajudado a compreender melhor os bastidores das causas primeiras da anunciada pandemia, talvez possa trazer aqui algum dado que esclareça por sua vez o leitor. Há muito tempo que os especialistas em virologia estão convencidos de que o sistema de agricultura intensiva da China meridional foi o principal vetor da mutação gripal: tanto da “deriva” sazonal como do episódico “intercâmbio” genómico. Há já seis anos que a revista Science publicava um artigo importante em que mostrava que, depois de anos de estabilidade, o vírus da gripe suína da América do Norte havia dado um salto evolutivo vertiginoso. A industrialização, por grandes empresas, da produção pecuária rompeu o que até então tinha sido o monopólio natural da China na evolução da gripe. Nas últimas décadas, o setor pecuário transformou-se em algo que se parece mais à indústria petroquímica que à bucólica quinta familiar que os livros de texto na escola se comprazem em descrever.

Em 1966, por exemplo, havia nos Estados Unidos 53 milhões de suínos distribuídos por um milhão de granjas. Atualmente, 65 milhões de porcos concentram-se em 65.000 instalações. Isso significou passar das antigas pocilgas aos ciclópicos infernos fecais de hoje, nos quais, entre o esterco e sob um calor sufocante, prontos para intercambiar agente patogénicos à velocidade do raio, se amontoam dezenas de milhões de animais com mais do que debilitados sistemas imunitários.

Não será, certamente, a única causa, mas não poderá ser ignorada. No ano passado, uma comissão convocada pelo Pew Research Center publicou um relatório sobre a “produção animal em granjas industriais", onde se chamava a atenção para o grave perigo de que a contínua circulação de vírus, característica das enormes varas ou rebanhos, aumentasse as possibilidades de aparecimento de novos vírus por processos de mutação ou de recombinação que poderiam gerar vírus mais eficientes na transmissão entre humanos. A comissão alertou também para o fato de que o uso promíscuo de antibióticos nas fábricas porcinas – mais barato que em ambientes humanos – estava proporcionando o auge de infecções estafilocócicas resistentes, ao mesmo tempo que as descargas residuais geravam manifestações de escherichia coli e de pfiesteria (o protozoário que matou milhares de peixes nos estuários da Carolina do Norte e contagiou dezenas de pescadores).

Qualquer melhoria na ecologia deste novo agente patogénico teria que enfrentar-se ao monstruoso poder dos grandes conglomerados empresariais avícolas e ganadeiros, como Smithfield Farms (suíno e vacum) e Tyson (frangos). A comissão falou de uma obstrução sistemática das suas investigações por parte das grandes empresas, incluídas umas nada recatadas ameaças de suprimir o financiamento dos pesquisadores que cooperaram com a comissão. Trata-se de uma indústria muito globalizada e com influências políticas. Assim como o gigante avícola Charoen Pokphand, radicado em Bangkok, foi capaz de desbaratar as investigações sobre o seu papel na propagação da gripe aviária no Sudeste asiático, o mais provável é que a epidemiologia forense do surto da gripe suína esbarre contra a pétrea muralha da indústria do porco. Isso não quer dizer que não venha a encontrar-se nunca um dedo acusador: já corre na imprensa mexicana o rumor de um epicentro da gripe situado numa gigantesca filial de Smithfield no estado de Veracruz(*). Mas o mais importante é o bosque, não as árvores: a fracassada estratégia antipandémica da Organização Mundial de Saúde, o progressivo deterioramento da saúde pública mundial, a mordaça aplicada pelas grandes transnacionais farmacêuticas a medicamentos vitais e a catástrofe planetária que é uma produção pecuária industralizada e ecologicamente sem discernimento.

Como se observa, os contágios são muito mais complicados que entrar um vírus presumivelmente mortal nos pulmões de um cidadão apanhado na teia dos interesses materiais e da falta de escrúpulos das grandes empresas. Tudo está contagiando tudo. A primeira morte, há longo tempo, foi a da honradez. Mas poderá, realmente, pedir-se honradez a uma transnacional? Quem nos acode?

(*) Não é boato, ví há alguns dias na TV francesa a instalação mexicana onde tudo começou. É uma série impressionante de galpões onde se apertam milhares de porcos num ambiente estressante e absurdo. A empresa norte americana, fora expulsa dos EUA por motivos sanitários. O problema não é a sujeira, pelo contrário, os galpões são limpos, mas o modo de criar os porcos, engordados com excesso de comida, hormônios e antibióticos, pouco sono e mobilidade, num ambiente artificial e em enorme promiscuidade. Um virus que se manifeste alí, terá milhares de passagens pelos bichos da criação possbilitando mutações além da imagniação. Além disso, esses bichos, pela maneira que são criados tem imunidade baixa, ao contrário dos porcos dos chiqueiros. Nem a carne presta. (Fritz Utzeri)

 



Escrito por Dr. Fritz às 16h08
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Caro Leitor deste blog e ex-leitor do Montbläat

Estamos numa nova etapa; na blogsfera. Recebi inúmeros e-mails de ex-leitores expressando tristeza e saudades pelo fim do Mont. Nosso jornal eletrônico, que circulou sem falhas durante quatro anos e meio, poderá "voltar às bancas" em setembro do ano que vem. Daqui até lá estarei pensando no assunto e buscando meios de viabilizar essa segunda tentativa. Aceito sugestões). Se você está tomando contato comigo pela primeira vez e não tem idéia do que o Montbläat foi, acesse o enedreço eletrônico abaixo: 

http://cid-90e932afb7b8a769.skydrive.live.com/browse.aspx/Montblaat 

e tenha acesso a toda a coleção do periódico (330 números) inteiramente gratis.

Este blog entrará em atividade até o final de maio e sua ênfase será a política/comportamento. Não é um diário do Fritz, nem do Dr. Fritz, salvo se algum episódio de minha vida particular servir para ilustrar e tentar entender a vida neste Brasil, uma preocupação central do Montbläat.

Os colaboradores do jornal podem enviar-me seus blogs para que assim os saudosistas do jornal do Magu possam reencontrar seus articulistas favoritos. Publicarei também uma breve autobiografia para que os que não me conhecem fiquem sabendo quem sou e o que faço.

Um grande abraço, obrigado e até breve quando começaremos a ocupar este espaço para valer. 

Fritz Utzeri

 



Escrito por Dr. Fritz às 12h26
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